Direitos reservados ao autor, Diandro Monteiro.
Deitado na cama enquanto olho para o escuro do teto do meu humilde apartamento, pergunto a mim mesmo:
- Porque será que até agora o meu cérebro insiste em me torturar?
- Mesmo sabendo que estou cansado de pensar, porque será que ele não pensa em parar?
- Será que ele não entende que já basta a dor?
- Para de pensar! (ordeno eu)
Nessa noite, depois desse mesmo comando ordenado, tive a estranha sensação de estar morto, ou morrendo por dentro, apodrecendo lentamente na minha cama sem saber porque motivo aquilo me estava acontecendo.
Será que fui apanhado pela rara síndrome de cotard? Não me espanta, se calhar foi porque hoje decidi relembrar o passado (suspiro), tentar viver recordações que a muito foram demonstradas a outros como que esquecidas, apagadas, memórias estas ainda vivas porém na minha mente postas de lado como que adormecidas.
Aquilo aconteceu numa noite como esta, que sedentemente deixei de sentir a sua presença, do seu corpo e rosto, dos seus cabelos e seu cheiro, daquele sorriso manso, daquelas gargalhadas barulhentas muitas das vezes falsas rindo-se das minhas piadas, de tudo aquilo que de ti fazia parte, tudo aquilo que te pertencia e circundava toda a minha cama e espaço porque nestes tu tinhas uma parte.
Pela tristeza que me abala me refugio nos Portishead, na música Roads, enquanto me lembro de viagens de carro e momentos felizes entre nós os dois, de passeios de mãos dadas e de outros momentos censurados nestes mesmos lençóis, olho para fotos e acredita que não me conformo, não me conformo com o facto de te teres conformado com o meu abandono, de por nós não teres lutado, mesmo sabendo que de tudo o que se passou, eu sempre estive do teu lado.
Depois de termos partilhado uma manhã cheia de felicidade, parece que a tarde a tristeza nos bateu a porta, tristeza pois não mais te tenho deitada aqui até tarde. Não mais tenho o teu corpo junto ao meu, não mais tenho os teus beijos com sabor a mel, não mais tenho o teu sorriso que me lembra a vastidão de beleza do céu, não mais tenho o teu cheiro que eu simplesmente gostava por ser teu. Aqui não tenho mais nada a ti pertencente, pelo menos nada que me leve a ter debates com o subconsciente.
Olho para o pulso e noto com desgosto, que 4 horas da manhã marcava o relógio.
- Já é de madrugada, já perdi a noite (suspiro eu).
Minha casa encontra-se numa total escuridão, fria, com as paredes congeladas pela minha tristeza e agonia, os vidros das janelas a volta da mesma embaciados, pelo tempo úmido no exterior do apartamento encontrado. As persianas das janelas acastanhadas por natureza, porém, as mesmas sujas de poeira.
A mobília estática a volta da casa, tudo intocado e exatamente na mesma posição e estado que ela havia deixado. Minha mente desobedece-me ao acordar todo o corpo, pondo o mesmo em total desconforto, na cama que um dia já foi o lar do desvanecimento, de tudo aquilo que para mim já considerei um incômodo.
O chão de cor beje sujo e as paredes acinzentadas de casa escurecidas pelo tempo, a casa demonstrava toda a minha tristeza por meio de si mesma, porque de tanta agonia e desgosto da minha parte nem tratava da mesma. Olho para o lado e reparo, nas lacunas encontradas espalhadas por todo o espaço do quarto, aquele que era costumeiro acomodar e amontoar tudo que a ela pertencia, que agora se encontra vago.
Centésimos, segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos se passaram, chegaram outras pessoas que tentaram, mas até hoje ninguém, absolutamente ninguém, conseguiu preencher todo o espaço, o espaço em branco vago encontrado no nosso antigo quarto e no meu peito.
Parecendo que não, ocupavas um terreno vasto, o que eu mais queria nesse momento é ter-te aqui ao meu lado, pedir-te desculpas e arranjar formas de fazer-te voltar a habitar o meu espaço, só que não posso! Saber que nada posso fazer para te fazer voltar, faz-me pirar, faz-me arrancar os cabelos de raiva e gritar, porque nem mais ao teu número posso ligar, bloqueaste-me? Ou mudaste-te para uma área em que a rede já não pesca?
Talvez não o consiga ocupar porque costumava ser o teu espaço, ou então, pelo bloqueio mental que instituí a mim mesmo de não transpassa-lo no tempo passado, aquele passado em que juntos tínhamos um presente, sem eu poder imaginar que um dia estaria no futuro refletindo em tempos antecedentes, sem ao meu lado te ter presente.
Juntei todos os estilhaços do coração que despedaçaste, no dia em que com a porta bateste e partiste, e que decidiste não mais voltar a olhar para essa minha cara triste. Mas não faz mal, com a tua ida já me conformei, e até aonde te encontrar já sei, e acredita, que por mais longe que estejas nunca longe de mim irás ficar, ainda mantenho firme na minha mente que um dia ainda havemos de voltar, porque comprei um terreno ao lado da tua campa onde um dia a minha também irei armar e o meu corpo descansar.
#Dam97.

Lindoooooooo
ResponderEliminarObrigado minha bb ❤ graças a ti
EliminarMuito lindo.parabéns Cunhaz
ResponderEliminarObrigado minha cucu ❤
EliminarMuito bonito
ResponderEliminarMuito obrigado meu irmão 👊
EliminarO final me trouxe lágrimas instantâneas😢, Oh cunhas continua assim, pk textos que têm a capacidade de me fazer sentir algo, seja lá o que for, (já deves imaginar o quão raro é) são obras primas da qual o nosso mundo precisa respirar
ResponderEliminar👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽
Muito obrigado Cucu ❤❤❤ por demonstrares apreço por meio da tua involuntariedade biológica, o quanto gostaste do texto. Muito obrigado, continuarei a escrever, enquanto tiver capacidade de pensar e criar. One love 👏❤
Eliminarhmmmmmm :)
EliminarAmei! So far, my favourite.
ResponderEliminarI'll work harder to set a new fav for ya sis
EliminarMuito obrigado Sis 👊
Ficou bem melhor. Lindo! Amei...
ResponderEliminarMuito obrigado mana 👍👊
EliminarSimplesmente maravilhoso
ResponderEliminarMuito obrigado por teres lido mano 👊
Eliminar#Foi #TáCrispy como sempre, força irmão. <3
ResponderEliminarMuito obrigado pela força meu irmão. #OneLove ❤
EliminarGostei muito 👊🏾❤
ResponderEliminarMuito obrigado por teres lido mano ❤👊
Eliminarcomo consegues
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